Juros altos e crédito mais difícil: entenda o que as projeções da economia dizem sobre o seu bolso

Entenda como a alta da Selic e a inflação afetam o crédito e aprenda a planejar suas finanças para conseguir financiamento com condições mais adequadas ao seu orçamento.

Você já passou pela situação de planejar a troca do carro ou a reforma da casa, ir ao banco em busca de financiamento e se deparar com parcelas que não cabem no orçamento? Ou, pior, ter o crédito negado sem uma explicação clara? Essa frustração, vivida por muitos brasileiros, não é um problema isolado.

A resposta para essa dificuldade está diretamente ligada ao cenário econômico do país, e os números ajudam a entender o porquê. As projeções de mercado, reunidas semanalmente pelo Banco Central no Relatório Focus, funcionam como um termômetro e indicam um caminho de maior cautela para quem empresta e para quem pega dinheiro emprestado.

A inflação que corrói o poder de compra e aumenta o risco

O primeiro fator que um banco analisa é a inflação, pois ela afeta diretamente a sua capacidade de pagamento. De acordo com as expectativas de mercado, a projeção para a inflação oficial, medida pelo IPCA, em 2026 está em 4,02%.

Apesar de ainda elevado, é um número que vem mostrando leve recuo nas últimas projeções do mercado, sinalizando uma aposta na convergência da inflação para a meta, ainda que de forma lenta. No dia a dia, isso quer dizer que o custo de vida continua subindo, e o dinheiro que sobra no fim do mês para pagar contas e prestações é menor.

Somado a isso, a projeção do IGP-M para 2026, de 3,92%, também indica uma pressão nos custos, frequentemente refletida no reajuste de aluguéis e outros contratos. Para quem empresta dinheiro, uma inflação persistente aumenta o risco, pois gera mais incerteza sobre a capacidade do consumidor de honrar seus compromissos no futuro.

Juros altos (Selic): o principal motivo do crédito caro e mais raro

Para controlar a alta de preços, a principal ferramenta do Banco Central é a taxa básica de juros, a Selic. É nela que está o impacto mais direto no seu acesso ao crédito. A projeção do mercado para a taxa Selic no final de 2026 é de 12,25% ao ano.

Mas o que esse número significa na prática? A Selic serve de referência para todas as outras taxas da economia. Na prática, se a taxa básica é 12,25%, o juro que você paga no crédito pessoal ou no rotativo do cartão será muito superior a isso, pois embute o lucro do banco e o risco da operação.

Além disso, com uma Selic nesse patamar, os bancos têm uma alternativa muito rentável e segura: emprestar dinheiro para o governo comprando títulos públicos. Isso torna o crédito para o consumidor menos atraente para as instituições financeiras, que passam a ser mais exigentes e a cobrar mais caro para assumir esse risco.

Dólar: um impacto silencioso no seu custo de vida

Embora pareça distante da sua realidade, a cotação do dólar também influencia o cenário. A projeção para a taxa de câmbio no final de 2026 está em R$ 5,50. Um dólar nesse patamar pode encarecer produtos importados e componentes usados pela indústria nacional, do pão francês ao celular.

Esse aumento de custos gera mais pressão sobre a inflação, o que força o Banco Central a manter a Selic em patamar elevado, mesmo que isso signifique frear ainda mais o já modesto crescimento do PIB de 1,80%. É uma reação em cadeia que chega até o seu bolso.

Crescimento da economia (PIB): o ritmo do consumo e da confiança

O ritmo geral da atividade econômica, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB), completa o cenário. A projeção de crescimento do PIB Total para 2026 é de 1,80%. Um crescimento moderado como este sinaliza que a economia avança, mas sem grande vigor.

Com a economia crescendo de forma mais lenta, as pessoas e as empresas tendem a ser mais cautelosas. Adiam grandes compras, evitam fazer dívidas longas e priorizam a quitação de débitos existentes. Esse comportamento geral diminui a procura por crédito e aumenta a prudência de quem empresta.

Juntando as peças: o que o cenário econômico sugere?

Ao conectar todos os indicadores, a mensagem se torna mais clara. Um cenário com inflação projetada em 4,02%, juros básicos de 12,25%, dólar a R$ 5,50 e um crescimento econômico de 1,80% sugere um ambiente de maior restrição ao crédito.

A tendência apontada é que, para controlar a inflação, a economia precise operar com juros elevados, o que naturalmente torna o crédito mais caro e seletivo. A combinação de juros altos com crescimento modesto leva as instituições financeiras a adotarem uma postura mais conservadora na hora de aprovar financiamentos.

Conclusão: o que esperar nos próximos meses?

Portanto, a dificuldade em obter um financiamento com boas condições não é um problema individual, mas um reflexo direto do momento econômico projetado pelo mercado. O cenário de juros altos é a principal estratégia para combater a inflação, e o crédito mais caro e rigoroso é uma consequência direta dessa política.

As informações do Relatório Focus, baseadas nas expectativas de especialistas, servem como um guia para entender por que tomar crédito pode continuar sendo um desafio, exigindo mais planejamento e organização financeira do consumidor.


Fonte: Banco Central do Brasil – Relatório Focus (Expectativas de Mercado). Análise baseada na edição de [Janeiro/2026], que reúne projeções de inflação, juros, câmbio e crescimento econômico.

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