Se você já tentou fazer um empréstimo e ouviu que está “sem margem”, saiba que isso não significa que o banco não gosta de você. Significa que você já atingiu o limite de desconto permitido por lei no seu contracheque.
A margem foi criada para evitar o superendividamento. No Brasil, as regras mudaram recentemente com a Lei 14.431/2022, e entender esses percentuais é a chave para planejar seu próximo passo financeiro.
Quais são os valores da margem hoje?
Os limites variam de acordo com o seu perfil, mas para a maioria (Aposentados e Pensionistas do INSS), a regra atual de 45% funciona assim:
- 35% para Empréstimo Consignado: Destinado exclusivamente às parcelas fixas de empréstimos.
- 5% para Cartão de Crédito Consignado: Uma reserva apenas para o pagamento da fatura do cartão.
- 5% para Cartão Benefício: Uma margem extra para o novo cartão que inclui seguros e descontos em farmácia.
Importante: Essas margens são separadas. Se você usou todos os seus 35% de empréstimo, ainda pode ter os 5% do cartão disponíveis, e vice-versa.
Como calcular a sua margem?
O cálculo é feito sobre o seu salário líquido (o que sobra após descontos obrigatórios de IR e Previdência).
Exemplo Prático:
Se você recebe R$ 2.000,00 limpos:
- Sua margem de 35% para empréstimo é: R$ 700,00.
- Isso significa que a soma de todas as suas parcelas mensais não pode passar de R$ 700,00.
O que causa a “Margem Negativa”?
Isso acontece quando o valor das suas parcelas ultrapassa o limite permitido. Os motivos comuns são:
- Aumento de juros ou taxas: Em alguns contratos antigos.
- Redução no salário real: Se você teve algum outro desconto novo no contracheque.
- Erro do sistema: Quando o banco e o órgão pagador (INSS/Gov) não se comunicam direito.Se a margem está negativa, você fica impedido de fazer novos empréstimos até quitar contratos antigos ou ter um aumento de salário.
Como “liberar” ou aumentar a margem?
Existem três caminhos principais para quem precisa de mais crédito mas está sem margem:
- Refinanciamento: Você renegocia o empréstimo que já tem, o banco quita o antigo e libera um “troco” mantendo a mesma parcela.
- Portabilidade: Você leva sua dívida para um banco com juros menores. A parcela diminui, e a diferença vira margem livre.
- Aumento Salarial: Sempre que o salário mínimo sobe ou você recebe um aumento, sua margem cresce automaticamente de forma proporcional.
O controle das margens para beneficiários do INSS é feito pelo portal Meu INSS, onde é possível baixar o “Extrato de Empréstimos Consignados”, o documento oficial que mostra exatamente quanto você já usou e quanto ainda tem livre.
Conclusão: Informação é poder
Saber a sua margem consignável evita que você perca tempo com propostas de crédito que serão negadas. Antes de buscar um empréstimo, consulte seu extrato e faça a conta.
Se a margem estiver apertada, a portabilidade pode ser sua melhor amiga para reduzir os juros e liberar fôlego no orçamento.