Para entender o spread, pense no banco como uma loja de sapatos. A loja compra o sapato da fábrica por R$ 100 e vende para você por R$ 200.
Esses R$ 100 de diferença servem para pagar o aluguel da loja, os funcionários, os impostos e, claro, o lucro do dono.
No banco, a “mercadoria” é o dinheiro. O Spread Bancário é a diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro (juros que ele te paga na poupança ou CDB) e o que ele cobra para emprestar esse mesmo dinheiro (juros do seu empréstimo ou cartão).
Como o Spread é dividido?
Muitas pessoas acham que o spread é todo “lucro puro” do banco, mas não é bem assim. No Brasil, ele é composto por cinco pedaços principais:
- Inadimplência (O maior pedaço): Como muita gente não paga o que deve, o banco “dilui” esse prejuízo cobrando mais caro de quem paga em dia. É o bom pagador financiando o caloteiro.
- Impostos e Depósitos Obrigatórios: O governo morde uma parte alta de cada operação e obriga os bancos a deixarem uma parte do dinheiro “trancada” no Banco Central.
- Custos Administrativos: Salários de funcionários, segurança, tecnologia e manutenção das agências físicas.
- Margem de Lucro: É o que sobra para os acionistas do banco após pagar todas as contas acima.
- Risco Brasil: A incerteza da economia faz com que as instituições cobrem um “adicional” de segurança.
Por que o Spread brasileiro é tão alto?
O Brasil tem um cenário onde a justiça é lenta para recuperar bens (como carros ou casas de quem não paga) e a concentração bancária é alta (poucos bancos grandes dominando o mercado). Com menos concorrência e alto risco de não receber, os bancos jogam o spread nas alturas.
Como você pode “vencer” o Spread?
Você não consegue mudar a economia do país, mas pode fugir dos spreads mais abusivos:
- Fuja do Crédito Sem Garantia: No cartão de crédito e cheque especial, o risco de calote é enorme, então o spread é gigante.
- Use Garantias: No crédito consignado ou empréstimo com garantia de imóvel/veículo, o banco tem segurança de que vai receber. Com o risco menor, o spread cai e o juro fica mais baixo.
- Bancos Digitais e Fintechs: Como essas empresas não têm o custo de agências físicas em cada esquina (custo administrativo menor), elas conseguem trabalhar com spreads mais baixos e oferecer taxas melhores.
Para acompanhar como anda o spread médio praticado no mercado e ver a composição detalhada desses custos, você pode consultar o Relatório de Economia Bancária do Banco Central, que traz os dados oficiais atualizados anualmente.
Conclusão: Informação é poder de negociação
Agora que você sabe que o juro que você paga não é só “lucro do banco”, mas um mix de impostos e risco de inadimplência, você tem um argumento forte: se você é um excelente pagador e tem garantias, você merece um spread menor.