Vale a pena pegar empréstimo para quitar dívida? O guia para decidir

Entenda quando compensa fazer um empréstimo para pagar dívidas. Aprenda a comparar juros, reduzir o valor total da dívida e evitar a bola de neve financeira.

Muita gente tem medo de fazer um novo empréstimo quando já está devendo, achando que isso vai piorar a situação.

Mas, na verdade, essa é uma das táticas mais inteligentes de educação financeira — se usada com estratégia.

O segredo não é “fazer mais uma dívida”, mas sim comprar uma dívida mais barata para matar uma mais cara.

A Regra de Ouro: Compare os Juros

Você só deve pegar um empréstimo para pagar dívidas se a Taxa de Juros (CET) do novo empréstimo for consideravelmente menor do que a da dívida atual.

  • Dívidas Vilãs: Cartão de crédito rotativo (cheque especial) e crédito pessoal sem garantia. Elas cobram juros que podem passar de 15% ao mês.
  • Dívidas Aliadas: Empréstimo consignado, antecipação do FGTS ou empréstimo com garantia. Essas modalidades cobram entre 1,5% e 4% ao mês.

Exemplo: Se você deve R$ 2.000 no cartão de crédito, em um ano essa dívida pode virar R$ 8.000. Se você pegar um empréstimo com juros baixos para quitar esses R$ 2.000, você “estanca o sangue” e passa a dever apenas as parcelas fixas e menores do novo empréstimo.

Quando realmente VALE a pena?

  • Para evitar o efeito “Bola de Neve”: Se você percebeu que o juro atual está crescendo mais rápido do que sua capacidade de pagar.
  • Para unificar contas: É muito mais fácil organizar a mente e o bolso pagando uma única parcela por mês do que dez boletos diferentes em datas variadas.
  • Para conseguir descontos: Com o dinheiro do empréstimo na mão, você pode ligar para seus credores e oferecer um pagamento à vista. Bancos costumam dar descontos agressivos (de até 90%) para quem aparece com o dinheiro vivo para liquidar o débito.

Quando NÃO vale a pena?

  • Se os juros forem parecidos: Trocar uma dívida de 8% ao mês por uma de 7,5% não muda sua vida e ainda pode ter taxas de abertura de crédito (TAC) que anulam a vantagem.
  • Se você não cortou a causa do problema: Se você pegar o empréstimo, pagar o cartão de crédito e continuar gastando no cartão, em dois meses você terá duas dívidas: a do empréstimo e a nova do cartão. Isso é o que chamamos de suicídio financeiro.

Como fazer a troca da forma certa?

  1. Levante o valor total: Saiba exatamente quanto você precisa para quitar tudo à vista.
  2. Busque garantias: Se você puder usar seu FGTS, seu carro ou seu salário (consignado) como garantia, conseguirá as menores taxas.
  3. Negocie antes de pagar: Não pegue o dinheiro e pague o valor que aparece no app. Ligue para a empresa e diga: “Tenho o dinheiro aqui para pagar agora, quanto você me dá de desconto?”.

Para comparar as taxas de juros médias praticadas por cada banco e garantir que você está escolhendo a opção mais barata do mercado, consulte o ranking oficial de taxas do Banco Central do Brasil.

Conclusão: O empréstimo é uma ferramenta

Pegar um empréstimo para quitar dívidas vale a pena sempre que isso significar economia de juros e organização.

É como um remédio: se usado na dose certa e com o diagnóstico correto (seu planejamento financeiro), ele cura. Se usado sem controle, vira veneno.

OP CRED
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Especialista em produção de conteúdo informativo e educativo, com foco em finanças pessoais, crédito, economia e serviços financeiros. Atua na análise e tradução de dados oficiais, indicadores econômicos e produtos financeiros para uma linguagem clara, acessível e útil ao público em geral.

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